manter o movimento das coisas
nas coisas todas que tocaste
como se mexidas há pouco
no pouco tempo que ficaste.

e parece que ainda andas de vulto
inulto bulir das coisas com precisão
de ladrão: rouba-me, leva-me, lava-me,
sirva-te de mim, mas não deixa eu não.

alumia incandesce o extremo norte desse cachimbo boreal e inala... inala ao sul desce denso peyote chicote açoita narinas & pulmões alumia, alumia bota voz & poder dentro nessa boca abre braços & pernas prum leste-oeste qualquer e constata... está tudo tão cheio de deuses, e deuses não arredam pé alumia, alumia, alumia explode veia temporal & fecha o sabre-flecha d'cabeça escalpada e arremata... mata um pássaro hontem com a pedra que atiraste oje.


dos poemas mediterráneos
*
un poema dos ballarinas lo que me llevó a pasear por los campos fue mi incapacidad de bailar. todos los juncos creídos e invertidos u ostentados no fueram bastant per a moverme a través de mis inquietudes. Y se los campos son vastos y libres d'altra banda la inquietud es estany, on la possibilidad de aprendre a bailar paira en el aire, incierta i malsegura ja que observo la dansa de las ballarinas... * * dos, poema me acerco de mi y no me veo ni mis ojos o mi pared pero sí siento lo que me persigue: la noche partida y sudorosa... no lo sé si es pecado o prohibido solo sé que busco el fondo... hondo, profundo.


eu e minha boca ferida, leiloada ao silêncio numa manhã desprovida de pássaros e sem lascas de sol. uma nudez de alguma ausência anuncia um acontecimento: busco devolver o corpo ao corpo... do corpo aos corpos depois de tudo o que passei: joões-de-barro despencados galho a galho pedras desfolhadas em saveiros estelares surpreso ao constatar que algo em mim ainda cresça, (apesar de tudo) a dureza, à dureza, àa dureza. àà dureza. nascido em fevereiro, como poderia endomingar-me?


gosto do cheiro do mar do cheiro do mato da chuva, da terra... gosto de cheiros. tudo começou assim, com cheiros. cheiros são minha memória e cada vez que sinto o cheiro da chuva, da terra, do mato ou do mar, e constato que não há nem sinal de você o cheiro não traz o gosto - se é que você me entende...


achega-te a mim nega, diz em primeiro plano - titubeante mas fluente - que sou, que faço, me abunda incha minha bola de festim com estalido catalano (estou absolutamente apático nesta segunda) dou de comer & de beber a todo o ócio distraído tapas & beijos & cavas a alegrias passageiras imagino-me como uma puta de avenidas estrangeiras a exibir um falso-brilhante já gasto e abatido fecho as janelas, deito-me ao chão do equador inevitavelmente ao sul, tanto por aquis como por lás sempre voltarei para os flamboyants dos meus orixás já posso me ver como um gris de flamejante topor a consumir meus dias avindos e voluntários lleno de estampas en los tejidos templarios.


meu coração opaco, minúsculo músculo fraco de torta ação; mesmo facão que fere meu peito, efeito no teu não causa não. então diga, qual lâmina é essa que depressa corta e abre um vão entre vontade e desejo, ardente, rente ao juízo, fundo ao coração? amor qual é esse, à sorte atirado, temperado com tempero de fraco sabor; pois se enamorado já estou, enlevado, desacertado então, amor torna-se dor. soto sentimento virado do avesso, confesso e sabido impossível de orto, porto inseguro do que às vezes careço, do começo, já desde o começo natimorto.


pra quem ouve aquilo qu’ouvo além daquele outro que louvo sabe que é perturbação d’almo ( que macho sou ) e então m’acalmo que alma é coisa de frouxo e eu nasci c’uaquilo rouxo não afrouxo nem desabrouxo e sei que tudo aquilo que se prega quando ninguém o mesmo se nega é pra dizer que sou cético de tudo, e posto poético, calado fico mudo, contudo mantenho o olhar distante pé atrás querendo saber tudo e mais do que não é falado nem ensinado já que proibido, como nas antiguidades, que sabedoria assim só autoridades religiosas ou de lei podiam ter, e para o povo só contos e crenças para alimentar ainda mais a ignorãça daquele que já sofrido sofre desd’infância mas não larga pé de tocar a vida pra frente com a tal da fé fazendo o milagre da gente e no fundo não importa se se crê ou se descrê mas se vive... e se vivendo se deixa viver.


arnaldianas
* r. oda a dor i. nevitavelmente p. ara sempre

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neste ano jazz-me-ei-te em (26/1)2004 subtons


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a recusa da prosa) subsenhor sucumbe( ékatómbe azul: blue... profundamente blue



soy un pescador de avanzada edad y navego solo solo por necesidad. necesidad de estar en total tranquilidad pero sinto lo pesar de una otra necesidad. necessitat de tener alguien para acariciar pero tras de açò afecte restes diversa cosa qu'estimar. i si amar solo no és possible i tota possibilitat és plena soy adoncs un amante eteri en una eteridat terrena.


parto como se saudoso fosse solitárionauta nessa ilha-verde-do-nada cala-te num grito tão alto como o silêncio que aterroriza de branco o canto escuro em que pensei poesia num dia claro de verão paulista racista sem o filtro de aglutinantes cores em branco tampouco preto quieto & ausente de sentido dele mesmo despresença axeviena e sinto garimpo-galope louco de desejo com pexeira & verbo na boca em riste saiste rápino como sempre & também saio eu deste ninho de conformes disforme ninguém que fui & ao sair parto cu'a impressão de ir tarde